Com a eminente crise orçamentaria instaurada na única Universidade pública do
Distrito Federal (UnB), alunos, professores e profissionais terceirizados protestam em favor
de seus direitos devido ao posicionamento limitante do governo.

A Universidade de Brasília (UnB) tem passado por uma crise orçamentária decorrente
da negligência governamental relacionada a todos os níveis educacionais, em que a má gestão
da instituição representa um agravante do déficit de R$ 92 milhões. Diante de uma situação
que divide opiniões, o estudante de direito da UnB, Igor Cortizo, acredita que "A crise é,
sobretudo, por má gestão. Essa decorre de uma reitoria que cede a pressões externas de
grupos estudantis que querem impor a força seus ideais”.
Em 21 de abril de 1962 a Universidade de Brasília foi fundada com a ideia de
melhorar a educação superior, juntar cursos em um só lugar e preparar profissionais
capacitados para transformar o país. A estrutura administrativa e financeira era amparada por
um conceito novo nos anos 60: a autonomia. Segundo Darcy Ribeiro, em “UnB: Invenção e
Descaminho”. “A UnB foi organizada como uma Fundação, a fim de libertá-la da opressão
que o burocratismo ministerial exerce sobre as universidades federais. Ela deveria reger a si
própria, livre e responsavelmente, não como uma empresa, mas como um serviço público e
autônomo”,
Apesar do ideal proposto por Darcy na década de 1960, a instituição enfrentou
momentos de tensão política, social e econômica e a situação atual não é diferente. Trata-se
da relação entre a verba total oferecida pelo Estado, correspondente a 1,709 bilhão de reais, e
o destino tomado por ela, da qual aproximadamente R$ 1,451 bilhão foi direcionado ao
pagamento de professores, trabalhadores terceirizados (limpeza e segurança) sugerindo o
excedente de funcionários. Sob essa perspectiva, a UnB diminuiu seus investimentos em
torno de 66%, visto que no ano de 2017 seus investimentos ultrapassavam R$ 80 milhões,
enquanto em 2018, está próximo de R$ 28 milhões.
Mesmo sendo proprietária de um patrimônio imobiliário que arrecada mais de R$ 20
milhões por ano com aluguéis de imóveis, representando uma parcela das condições de ação
autônoma da universidade, a renda é diretamente limitada pelo poder governamental, que
determina um teto de gastos para a esfera educacional.
Como resposta à crise, o corpo discente se mobilizou por meio de manifestações e
greves, visto por muitos como atos de vandalismo e depredação do patrimônio. A ideia
contrária à greve diz respeito a imposição do Diretório Central dos Estudantes (DCE),
alegando por parte dos cursos tradicionais como direito, medicina e engenharias a não
abrangência de ideais.” A votação para greve não teve quórum suficiente e foi imposta de
forma autoritária. No direito foi convocada uma assembleia para todos os alunos da FD
(Faculdade de Direito) e a adesão à greve não se concretizou.” Relata Igor.

Por Pedro Paulo Teixeira

(Fotos por Amanda Ribeiro)

     

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