O Museu Nacional do Rio de Janeiro é a mais antiga instituição científica
do Brasil, e até setembro de 2018, atuou como um dos maiores museus de história
natural e antropologia da América. O palácio que abrigou o museu serviu de
residência para a família real portuguesa de 1808 a 1821, hospedou a corte imperial
brasileira de 1822 a 1889 e sediou a primeira Assembleia Constituinte Republicana
de 1889 a 1891, antes de ser destinado ao uso do museu, em 1892.
Fundado por Dom João XI em 6 de junho de 1818 chamando de Museu Real,
ainda no século XIX, foi denominado como o mais importante museu de história
natural na América do Sul, e incorporado à Universidade Federal do Rio de Janeiro
em 1946.
Tendo em vista o investimento que é aplicado pelo país em outros museus, o
museu nacional fica para trás de muitos. Um deles é o Memorial JK (Juscelino
Kubistchek) que, no ano de 2016, recebeu 1,8 milhão de reais para reformas
referentes à acessibilidade do local à compra de um projetor holográfico para
reproduzir em 3D e em tamanho real homenageando o presidente que fundou a
cidade, enquanto o último investimento que o Museu Nacional recebeu foi em 2013
para reformas básicas, segundo o site oficial do ministério da cultura.
Mesmo mais de 10 dias após o incêndio, ainda não se sabe o que ocasionou
as chamas. A polícia federal, em entrevista ao G1, afirmou que irá colaborar com o
corpo de bombeiros do estado do RJ na investigação da origem do fogo, mas claro
que há especulações, e a principal determina como hipótese, um curto-circuito.
Também não se sabe onde o fogo começou, mas a madeira da estrutura e o
material inflamável do acervo contribuíram para que o fogo se espalhasse
rapidamente.
O incêndio destruiu quase a totalidade do acervo histórico e científico
construído ao longo de duzentos anos, e que abrangia cerca de vinte milhões de
itens catalogados. Além do seu rico acervo, o edifício histórico que abrigava o
Museu, foi extremamente danificado com rachaduras e o desabamento de sua
cobertura. O teto desabou e os três andares do edifício foram bastante destruídos.
Entre os itens que se estimam destruídos pelo fogo está o fóssil humano mais
antigo encontrado no Brasil, achado em 1974 e batizado de Luzia. As coleções
de paleontologia que ali se encontravam incluíam o primeiro dinossauro de grande
porte encontrado no Brasil, na região de Minas Gerais. O acervo etnográfico contava
com artefatos da cultura afro-brasileira, africana e indígena, como objetos raros de
tribos já extintas.
O museu administrado pela UFRJ possuía caráter acadêmico e científico e
era um reconhecido centro de pesquisa em história
natural e antropológica na América Latina.
Todo o trabalho de cerca de 90 pesquisadores que ali conduziam suas
pesquisas foi perdido. Todo o Arquivo Histórico, que se encontrava armazenado num

ponto intermediário do edifício, foi destruído, assim como duas exposições em duas
áreas da frente do prédio principal.
Atualmente o museu nacional está indeterminadamente interditado pela
defesa civil do estado do Rio de Janeiro. O coordenador do órgão afirmou que há
risco de desabamento da fachada, então cabe à administração do museu contratar
uma empresa para "escorar" a estrutura para que, assim, os escombros possam ser
retirados com segurança. Esses escombros vão passar por análise de especialistas
para verificar se ainda há algum objeto do acervo. Logo após essa verificação e a
retirada total dos escombros, o museu poderá ser liberado pela defesa civil.
No que diz respeito à recuperação do acervo e dos documentos históricos
que estavam no Museu Nacional, o governo do estado pediu para quem tivesse
fotos ou tenha achado alguma peça entrar em contato ou entregar na delegacia mais
próxima. A administração do museu afirmou que com as fotos enviadas e com os
mapeamentos em 3D das obras, já realizado em algumas obras, irá reconstruir o
acervo, em parte digital e em parte com réplicas.
O governo de Portugal e a direção do museu do Louvre se manifestaram
sobre o assunto e se dispuseram a ajudar na recuperação do Museu Nacional. O
ministro da educação já esteve em reunião com o ministro da cultura de Portugal e
irá marcar um encontro com a direção do Louvre.

por Pedro Paulo Teixeira e William Homero

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